logo, não
ficará em ruínas:
o tempo não
pode destruí-lo;
talvez meu
herdeiro o negue
ou talvez firme
compromisso,
com alguma
débil esperança,
de experimentar
esse veneno
que a solidão
sempre impõe.
Meu legado não
será sólido,
sua construção
foi paulatina
e crescente:
quilo a quilo;
e já está para
ser entregue:
é o que fiz,
nada além disso,
o patrimônio
dessa herança
é
insignificante, é pequeno.
Meu legado não
será sólido:
será o que o
mundo ensina,
o que aprendi
ao persegui-lo;
toda a
construção se ergue
graças ao meu
árduo serviço,
o qual faço
desde criança.
Meu legado não
será sólido,
a solidão (a
minha vacina),
guiará o meu
futuro pupilo
para que meu
corpo sossegue
e que nem tudo
fique omisso.
Meu legado não
será sólido:
a solidão será
a lamparina
alumiando — ao
seu estilo —
tudo que meu
sonho persegue.
Meu legado não
será sólido,
será feito por
uma chacina:
nenhum fraco
irá senti-lo.
Meu legado não
será sólido,
pois o fiz
contra a rotina.
